𝐀 𝐏𝐫𝐚𝐢𝐚 𝐕𝐞𝐫𝐦𝐞𝐥𝐡𝐚 é 𝐚𝐫𝐭𝐢𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥?

𝐀 𝐏𝐫𝐚𝐢𝐚 𝐕𝐞𝐫𝐦𝐞𝐥𝐡𝐚 é 𝐚𝐫𝐭𝐢𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥?

Hoje seguimos partindo desta foto de Juan Gutierrez da década de 1890 (que falaremos dela em outro momento com outros detalhes) e apresentamos a mesma editada por nós graficamente para passarmos uma idéia visual de como pode ter sido (muito provavelmente foi) o litoral da entrada da Baía de Guanabara originariamente.

A partir da interpretação de um mapa (foto) feito manualmente (e não facilmente compreensível) da Baía de Guanabara (Rio de Janeiro) e sua entrada (foz), no século XVI, houve pesquisas e registros (pouquíssimos) de historiadores sobre um acidente geográfico que teria sido modificado significativamente.

Os morros da Urca, Pão de Açúcar e Cara de Cão formariam uma ilha chamada de “Trindade” (provavelmente nomeada desta forma por serem três morros) e estariam separados da costa, diferentemente do que vemos hoje.

Na foto de Gutierrez modificada por nós, retiramos a Praia Vermelha, supostamente criada por assoreamento natural acrescido de um aterro planejado, sendo portanto artificial e podemos ver como seria o aspecto, com as praias da Saudade (Avenida Pasteur e ICRJ) e de Botafogo tendo conexão visual direta com o Oceano Atlântico.

O aterro teria sido feito por volta da década de 1690 para construção da área militar, onde há pequenos fortes dos dois lados e da própria Praia Vermelha (Escola Militar foi construída na primeira metade do século XIX).

O “Vermelha” do nome da praia sempre esteve associado à tonalidade da areia, principalmente vista de cima, bem diferente das outras praias ao seu entorno no início da Baía e no Leme. Um dos motivos disso pode ter sido o fato de ela ser formada pela areia depositada pelo mar, uma vez que ela é uma praia oceânica e com marés de maior intensidade do que as da Baía de Guanabara, misturada com a terra que serviu para o aterro vinda de outro ponto, como por exemplo de terra obtida a partir de um arrasamento de área florestada de um morro, menos lixiviada, mais escura e com maior quantidade de ferro na composição.

Reiterando o início, são pouquíssimas referências a esta situação histórica e todas mais ou menos iguais, com o mesmo texto e sem a apresentação de documentos de capacidade comprobatória indubitável. Assim sendo, há algumas restrições em simplesmente colocar isso como uma realidade inconteste. Entretanto, ao olharmos de cima, em um cartão postal já do início do século XX (foto em que marcamos a área supostamente aterrada), com as obras de Passos já terminadas ou em fase de término, geologicamente, pelas carpas dos montes, tanto o do Urubú e Babilônia (limites direitos da praia) quanto o da Urca (limite esquerdo), parece mesmo muito provável e coerente que esta área fosse toda alagada e até com uma profundidade bem razoável.

Crê-se que um dos motivos para a fundação da cidade e construção das suas primeiras estruturas terem sido no sopé do Morro Cara de Cão (1565) foi justamente a trindade de morros formarem uma ilha e estas estruturas criadas ficarem mais resguardadas de invasões por terra. Mas logo em seguida, cerca de dois anos depois, com a morte do fundador Estácio de Sá em batalha, a “cidade nova” começou a ser instalada em outro morro à beira mar, o do Castelo (arrasado na década de 1920), já dentro do “continente”. Da expansão do Castelo pra baixo foi se formando o atual Centro e o restante da cidade. Falaremos muito sobre o Morro do Castelo especificamente em outras publicações.

Opinião particular de 𝘈𝘯𝘵ô𝘯𝘪𝘰 𝘙𝘢𝘮𝘰𝘴: a partir das histórias e características geológicas da região, é que a Ilha da Trindade existiu e foi artificialmente modificada. Os indícios de assim ter sido e de o aterro ter sido executado são muito maiores do que o contrário. E mais: o Morro Cara de Cão parece também que, talvez ainda no descobrimento, fosse descolado do Pão de Açúcar e do Morro da Urca.

 

 

𝘈𝘯á𝘭𝘪𝘴𝘦 𝘥𝘦 𝘈𝘯𝘵ô𝘯𝘪𝘰 𝘙𝘢𝘮𝘰𝘴 (2021)

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