O maior ÁS de F-14 Tomcat (não é um americano…)

O general Jalil Zandi (1951-2001) foi um grande Ás da aviação militar da República Islâmica do Irã e é listado como o piloto de F-14 Tomcat de maior sucesso na história desta aeronave.

Através dessa aeronave ele conseguiu oito vitórias confirmadas, mais três prováveis, durante a guerra entre o Irã e o Iraque: abateu dois MiG 21, quatro MiG 23, dois Su-22 e três Mirage F.1 da força aérea iraquiana. Veio a falecer em 2001, vítima de um acidente de automóvel.

 

CURIOSIDADE
Embora os F-14 tenham abatido muitos F-1, o Mirage F1 foi o primeiro avião que abateu os F-14… Nessa guerra precisamente.

 

 

 

 

No início da década de 1970, Irã e Estados Unidos eram muito próximos e as frutíferas relações apontavam para uma aliança duradoura.

Aproveitando essa esfera de boas relações, o Irã foi as compras e o F-14 Tomcat encantou o Xá. A vinda dessas aeronaves forçou a União Soviética a rever sua doutrina de invasão do espaço aéreo Iraniano, e a adotar outros caminhos.

Em janeiro de 1974 o Irã fechou a compra de 30 F-14 e 424 mísseis AIM-54 Phoenix. Poucos meses depois, os números subiram para 80 caças F-14 e 714 mísseis AIM-54 Phoenix, além de peças sobressalentes e motores para 10 anos de operação, e nisso incluía-se uma infraestrutura completa, com a construção da base aérea de Khatami nas proximidades de Esfahan, no centro do país.

Porém, durante o conflito Irã-Iraque, que se iniciou em 22 de setembro de 1980 e durou mais de 8 anos, nesse período o F-14 teve muitas façanhas, dados interessantes e situações inusitadas que valem ser lembradas.

A primeira vitória ar-ar de um F-14 ocorreu na primeira semana do conflito quando um helicóptero Mil Mi-25 Iraquiano foi abatido. Nos primeiros seis meses do conflito os Tomcats iranianos já haviam colecionado ao menos 50 vitórias, e durante o mesmo período apenas um F-14 sofreu danos quando destroços de um MiG-21, abatido a queima roupa, atingiram o caça.

Ao término do conflito, foram creditadas aos Tomcats da IRIAF (Força Aérea iraniana) 160, ou mais, vitorias ar-ar. Os Iraquianos reivindicaram ter abatido 70 caças F-14, porém, órgãos internacionais tem estimativas bem diferentes, que dão números entre 12 e 14 F-14 perdidos, sendo que apenas 3 por oposição aérea ou artilharia iraquiana, 4 por fogo amigo da defesa aérea iraniana, 2 em circunstancias não esclarecidas e as demais perdas por acidentes.

Os F-14 foram usados como plataformas aéreas de alerta aéreo em sua função primaria, não obstante algumas missões duravam até 9 horas, e incluíam interceptações.

O Capitão Yadulla Khalili detém o voo de caça com maior duração, com mais de 11 horas ininterruptas e oito reabastecimentos aéreos em missão de patrulha aérea de combate (PAC).

Um abate singular

“Nas primeiras semanas do conflito, em uma noite (aproximadamente as 23h00min, hora local) entre os dias 5 e 10 de novembro de 1980, um elemento F-14 pilotado pelo Capitão Mohammad Mosbough, e pelo Operador de Radar (RIO) Capitão Asad Adeli, voando a uma altitude de aproximadamente 25 000 pés (7 000 m), próximo a ilha de Kharg, (instalação das refinarias Iranianas e de vital importância para o Irã), detectaram três MiG-23 voando em formação extremamente fechada a 65 milhas (104 km) de distância, aproximando-se da ilha a uma altitude e 30 000 pés (10 000 m).

Começa a interceptação silenciosa, pois os MiGs não haviam detectado a presença do solitário Tomcat, que se aproximava por abaixo e a esquerda. O RIO solicitou ao piloto uma corrida para uma melhor aproximação, afim de aumentarem as chances de acerto do AIM-54 Phoenix.

Vale lembrar que a prioridade de engajamento do sistema do radar do F-14 escolhia sempre a aeronave mais a frente, classificada como número 1, sendo que a aeronave do meio era a número 2 e a mais distante a número 3. Nesse momento, o piloto questiona RIO para engajar número 2, pois pela formação cerrada em que voavam os Floggers, ele acreditava que causaria danos a mais de uma aeronave e poderia forçá-los a abandonar a região.

Então a 30 milhas (48 km) de distância, o AIM-54 Phoenix foi lançado e se iniciou a contagem no radar. Logo que o número chegou a zero, houve o “splash” e o contato radar sumiu. O F-14 inspecionou o local do abate, mas por ser noite e numa região marítima, não observaram nada que indicasse os destroços dos três MiGs, então o F-14 voltou a sua missão original de Alerta aéreo antecipado.

No dia seguinte foram encontrados os destroços, não de um, mas de três caças MiG-23 iraquianos. Um único AIM-54 abateu três alvos!

São inúmeros os relatos sobre os Tomcats no conflito acima mencionado, e de fato, os Gatos persas tiveram muitas vitorias, recebendo o apelido de MiG killers. O Capitão Jalil Zandi é atribuído o título de maior piloto de F-14, com 11 vitorias ar-ar.

Estimativas atuais indicam que o Irã tenha ainda entre 15 e 25 Tomcats operacionais, porem são células com mais de 35 anos de muito uso, principalmente no conflito, mas vale lembrar que o seu uso apenas terrestre, sem os rigores de um porta-aviões, contribuiu muito para a sua vida útil.

 

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