Parque Nacional Cavernas do Peruaçu- Gruta do Janelão – Minas Gerais

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é mais um daqueles lugares incríveis que poucas pessoas já visitaram no Brasil. Localizado ao norte de Minas Gerais, possui sítios arqueológicos milenares que deixou pesquisadores de todo o mundo boquiabertos com a qualidade e quantidade das pinturas rupestres pré-históricas encontradas em suas cavernas gigantes.

A área do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu é de 56.400 hectares e ocupa as terras dos municípios de Januária, São João das Missões e Itacarambi, bem próximo ao Rio São Francisco. Por esse motivo ele faz parte do Circuito Turístico do Velho Chico, dentre diversas outras atrações. Somente agora o parque foi estruturado e possui trilhas, mirantes e passarelas de proteção que levam aos sítios arqueológicos.

Para conhecer todas as trilhas, cavernas, sítios arqueológicos e “galerias de arte pré-histórica” (as pinturas rupestres), é preciso ficar pelo menos 3 dias fazendo os roteiros do Peruaçu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cavernas do Peruaçu, em Minas, guardam patrimônio arqueológico
Parque nacional tem paisagens esculpidas há mais de um 1 bilhão de anos e pinturas rupestres

O ‘Janelão’, com duas aberturas verticais intercaladas por um buraco no teto, a quase 100 m de altura, é uma das surpresas no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

 

Itacarambi (MG)
Percorrer os 4,8 km da trilha do Janelão, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, equivale a assistir a uma aula magna sobre o passado geológico e arqueológico do país. Em 2017, só 6.200 turistas foram até lá.

Quase na fronteira de Minas com a Bahia, no limiar entre o cerrado e a caatinga, Peruaçu está fora dos roteiros habituais. Mas vale cada real investido na passagem de avião até Montes Claros e no aluguel de carro para chegar aos municípios de Januária, a 635 quilômetros de Belo Horizonte, e Itacarambi, vizinha à unidade de conservação.

Os hotéis mais ajeitados ficam em Januária, a 44 quilômetros da entrada do parque, na comunidade Fabião 2.

Alguns quilômetros adiante, em estrada de terra sem grandes percalços, chega-se à base do Janelão, no que já foi a fazenda Terra Brava.

A partir daí a visita segue a pé pelos 2,4 km só de ida numa trilha bem estruturada, que seria fácil não fossem as centenas de degraus, motivo de sua classificação como “semipesada”. São cerca de cinco horas para ir e voltar, mas que passam rápido com o tanto que há para ver.

De cara, um paredão de calcário com inclinação ligeiramente negativa descortina uma sequência de pinturas rupestres. Do alto da passarela de madeira observam-se desenhos desde o chão até uns 3 metros de altura na rocha.

São dezenas de figuras vermelhas, pretas, amarelas e brancas, por vezes sobrepostas, compondo um painel dos vários povos que passaram por ali nos últimos milênios.

O abrigo servia mais à preservação das pinturas do que aos humanos, que não moravam ali, mas usavam a superfície vertical e nua para exibir sua arte.

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

Formação geológica conhecida como carste, no Parque Nacional do Peruaçu (MG), que abriga patrimônio arqueológico Araquém Alcântara/Divulgação/Instituto Ekos

Reserva mineira, na divisa entre cerrado e caatinga, tem paisagens esculpidas há mais de um 1 bilhão de anos e arte rupestre de até 90 séculos atrás

Predominam as figuras das chamadas tradições São Francisco e Nordeste, muitas delas geométricas e policrômicas, bem diversas das que se veem no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI).

Até esse ponto da caminhada não dá para entender por que se fala em Janelão, algo que começa a se esclarecer centenas de metros à frente.

Vencida a primeira rampa, abre-se um panorama de cortar o fôlego, uma sucessão de portais e claraboias esculpidas pela água na rocha esbranquiçada ao longo de centenas de milhões de anos.

Duas aberturas verticais intercaladas por um buraco no teto, a quase cem metros de altura, deixam claro por que alguém teve a ideia de batizar o lugar como Janelão. A luz cai de forma plácida e oblíqua sobre o espaço entre os portais, um piso de areia avermelhada por onde correm as águas do rio Peruaçu.

O nome Peruaçu, aliás, quer dizer mais ou menos “buraco grande”. Nada mais apropriado para descrever esse tipo de paisagem, que os geólogos chamam de carste.

Ela começou a se formar entre 542 milhões e 2,5 bilhões de anos atrás, no Proterozoico. Em mares rasos viviam algas microscópicas que iam depositando finas camadas de carbonato de cálcio e magnésio, dando origem à rocha sedimentar de calcário (ainda hoje se podem ver as lâminas superpostas na pedra).

Como o calcário é solúvel em água, o líquido infiltrado milênios a fio na rocha pacientemente formada vai abrindo grutas cada vez maiores. Dentro delas, o gotejamento forma estalactites, estalagmites, colunas e cortinas que enfeitam cavernas como a Bonita, não muito distante do Janelão.

​De tempos em tempos, um buraco pode se abrir no teto, por erosão continuada ou desabamento repentino, e se forma uma dolina. Na trilha do Janelão, a mais famosa recebeu o nome de claraboia do Coração, pelo formato da abertura quando vista de baixo, a dezenas de metros do chão.

Além do Janelão e da Bonita, há outros seis roteiros a percorrer no parque. Na lapa dos Desenhos fica a mais copiosa coleção de arte rupestre, que alcança mais de uma dezena de metros de altura —é inevitável a conclusão de que os paleoíndios construíam andaimes para deixar sua marca nas pedras.

Outra lapa muito decorada é a do Caboclo, que recebe essa denominação por causa de um desenho antropomórfico avantajado, todo preto. Não são poucos os visitantes que associam o formato estranho da cabeça com um capacete de astronauta, bem ao estilo de Erich von Däniken (autor do livro “Eram os Deuses Astronautas?”, de 1968).

Todos os roteiros, incluindo o recém-aberto para o arco do André, podem ser percorridos em 4 ou 5 dias.

Os guias, localmente conhecidos como condutores, cobram por volta de R$ 150 a diária para acompanhar grupos de até oito pessoas.

Ponte no interior da gruta do Janelão, no Parque Nacional Peruaçu, em Minas Gerais – Marcelo Leite/Folhapress
Chegada – O aeroporto mais próximo do Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu que recebe voos comerciais é o de Montes Claros (MG). Dali recomenda-se alugar um carro para chegar a Januária, a 169 km, na beira do rio São Francisco.

Hospedagem – A infraestrutura de hotéis e restaurantes em Januária é melhor do que em Itacarambi. Mas quem preferir não ter de dirigir todos os dias de estadia até a entrada do parque pode hospedar-se em pousadas no povoado de Fabião 1, como a Recanto das Pedras.

Entrada – A visitação é gratuita, mas precisa ser agendada no ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Isso pode ser feito por correio eletrônico (cavernas.peruacu@icmbio.gov.br).

Deslocamento – As estradas de terra do parque são bem conservadas, e chove pouco na região (1.400 mm/ano). Dificilmente será preciso alugar um veículo 4×4. Veem-se vários carros de passeio circulando entre as vias que vão de uma porteira a outra para os oito roteiros do Peruaçu.

Suporte – A infraestrutura das sedes é boa, mas um tanto vazia. Há banheiros, mas não há locais de alimentação (recomenda-se levar petiscos e água nas trilhas). Numa lojinha improvisada podem-se adquirir camisetas, livros e uns poucos suvenires. A renda reverte para o Fundo Peruaçu, administrado pelo Instituto Ekos Brasil, que dá consultoria ao ICMBio. A ONG participou da confecção do plano de manejo do parque e gerenciou a construção das sedes, a reforma das estradas e a estruturação das trilhas —há escadas e passarelas de madeira e metal em vários pontos.

Passeios – Com a ajuda (obrigatória) dos guias, ali chamados de condutores, é possível cobrir dois roteiros num mesmo dia, com exceção do Arco do André, caminhada mais puxada que demanda um dia inteiro. Com alguma negociação pode-se contratar um pacote de sete roteiros com um guia experiente por menos de R$ 500.

 

 

fonte : www1.folha.uol.com.br/turismo/2018/11/pouco-visitadas-cavernas-do-peruacu-em-minas-guardam-patrimonio-arqueologico.shtml

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